Neuropsicologia é cada vez mais usada para reabilitar funções do cérebro


19 Jul 2013

Recuperação da jornalista Silvia Zamboni contradiz laudo médico judicial

A jornalista Silvia Zamboni foi aposentada por invalidez após sofrer um acidente de carro que lhe causou grave traumatismo craniano.

— A avaliação médica judicial diz que eu sou incapaz, embora eu não seja. Sou totalmente capaz de ler, falar, me movimentar e até possivelmente, no futuro, dirigir — diz ela, que também faz aulas de dança e de corte e costura.

A recuperação de Silvia deve-se em parte à neuropsicologia, uma especialidade relativamente nova no Brasil. Reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia em 2004, por coincidência o mesmo ano em que Silvia se acidentou, a neuropsicologia é cada vez mais usada para reabilitar funções cognitivas de pacientes com lesão cerebral.

Segundo a psicóloga e doutora em ciências médicas Maria Emilia Thais, da clínica NeuroAtive, de Florianópolis, o primeiro passo é avaliar quais habilidades do cérebro foram preservadas ou alteradas pela lesão cerebral. Feito o prognóstico, monta-se um programa de reabilitação que envolve jogos cognitivos, realidade virtual e outras técnicas de estímulo ao cérebro.

Silvia realiza o tratamento há cerca de dois anos. Atualmente, ela participa de sessões em grupo, trabalhando com mais ênfase na capacidade de leitura e escrita, que é sua maior dificuldade hoje.

— Quero escrever bem novamente — conta.

A psicóloga Michelle Pereira, que é responsável pela área de reabilitação da NeuroAtive, explica que o tratamento estimula o cérebro para que ele faça novas conexões. Segundo ela, os parentes têm papel importante na recuperação.

— A família precisa entender o processo e trabalhar em conjunto — diz ela, que dá dicas, mais abaixo, de como a família pode ajudar na reabilitação.

De acordo com as profissionais da NeuroAtive, a neuropsicologia também pode ser usada por pessoas sem transtornos ou sequelas cognitivas, mas que queiram estimular memória, atenção, raciocínio, planejamento e outras funções do cérebro, independentemente da faixa etária.

Família pode ajudar o paciente,

Conhecendo, antes de tudo, os déficits cognitivos do paciente para que ele não seja cobrado em excesso ou fique a cargo de tarefas aquém de sua capacidade.

Contribuindo para o resgate da memória autobiográfica com fotos, histórias da família e visitas a parentes.

Reforçando datas e informações da atualidade.

Cuidando da autoestima do paciente para que não entre em depressão.

Percebendo os próprios limites como cuidador.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default.jsp?uf=2&local=18§ion=Geral&newsID=a3857013.xml